É tempo de fortalecer o GT Mulheres do Sintufes e o enfrentamento da violência de gênero
“Voltei com um sentimento muito forte de que é preciso lutar contra o machismo nas nossas fileiras, que o enfrentamento à violência deve começar nos nossos espaços de militância. Por isso, é urgente recompor o GT (Grupo de Trabalho) Mulheres e criar um protocolo de combate ao assédio e a outras violências no Sintufes”.
A afirmação é da trabalhadora da Ufes Lara Gobira. Ela esteve, com sua filha, Ana, representando o Sintufes no Encontro Nacional da Mulher Trabalhadora, que a Fasubra realizou nos dias 6 e 7 de junho, no auditório do Sindsef, em Brasília.

A aposentada Liliane Venturini também representaria o Sintufes no Encontro. Porém, de última hora, ela não pôde ir, por questões de saúde.
A atividade que homenageou Bertha Lutz, pioneira na luta pelos direitos das mulheres, reuniu mais de 100 mulheres trabalhadoras de 30 entidades sindicais ligadas às instituições federais de ensino para debater temas como: violência de gênero, economia do cuidado e a Convenção 190 da OIT, primeiro tratado a reconhecer formalmente o direito de todos a um mundo de trabalho livre de violência e assédio.

Ana por perto
Presença constante nas atividades do Sintufes, Ana acompanhou a mãe na viagem a Brasília.
Lara contou que a política de creche da Fasubra é a contratação de uma escola, paga pela entidade de base, para as crianças ficarem enquanto as mães participam dos eventos da Federação. Apesar de ser muito boa, a escola fica afastada do local do evento, o que dificulta a logística para levar e trazer a criança e participar da atividade.
Para atender melhor a necessidade de Ana, que ainda amamenta, o Sintufes contratou uma cuidadora em Brasília, e a Fasubra cedeu berço e brinquedos. Ana ficou em uma sala próxima do auditório durante o Encontro.
“Foi ótimo ela estar numa sala pertinho do auditório. Assim, ela teve suas necessidades de cuidado e alimentação atendidas. Mas, também pôde vivenciar um pouquinho o evento, ter contato com tantas mulheres maravilhosas. Em alguns momentos, ela foi para a plenária comigo, eu cheguei a fazer uma intervenção com ela no colo, mas a cuidadora estava ali pertinho e foi muito importante. Porque eu não precisava ficar me dividindo demais entre ela e o evento. Tinha alguém para tomar conta dela, e aí eu pude aproveitar melhor os debates”, salientou Lara.

Propostas
Em que pese o evento não tivesse natureza deliberativa, um rol de propostas foi enviado à Direção Nacional da Fasubra. Dentre elas, destacam-se:
• Criação de calendário de lutas com datas fixas, e aprovação anual de calendário de atividades, para garantir condições de participação da base, com organização, planejamento e economia.
• Criação de protocolo de enfrentamento às violências na Fasubra, e a orientação às entidades filiadas para criação de protocolos locais.
• Denuncia dos feminicídios e da omissão do Estado: com organização de campanha, materiais informativos e intervenções nas redes sociais, com o lema “Machismo mata. A omissão dos governos também!”.
• Exigência de políticas públicas efetivas, como o aumento imediato de orçamento para enfrentamento à violência; e exigência do fim das políticas que precarizam as condições de trabalho: arcabouço fiscal; pagamento dos juros da dívida pública; reforma administrativa etc.
• Exigência às reitorias de realização de psicodiagnóstico institucional com participação dos sindicatos, visando mapear e combater os espaços de risco para assédio.
• Estabelecimento de critérios de participação nos Encontros de Mulheres, definidos nos GTs ou em assembleias nas entidades que não os possuem.
• Garantia de realização de reuniões quadrimestrais entre os GTs de Mulheres e a Pasta de Mulheres da FASUBRA, incluindo na pauta temas como: concursos públicos, jornada de 30h, licença menstrual, protocolos de assédio, PGD, e tripla jornada.
