Diretoria Colegiada realiza planejamento estratégico com foco na luta e na base
Nos dias 22 e 29 de setembro, a Direção Colegiada do Sintufes realizou seu planejamento estratégico presencial no auditório da subsede do sindicato. A atividade teve como objetivo alinhar ações prioritárias, fortalecer a atuação sindical e aprofundar a análise de conjuntura nacional, internacional e local.
Diretrizes e prioridades
No segundo dia do encontro, o debate se concentrou em temas estratégicos como:

Implementação e estrutura: Foi debatida a criação da Comissão Setorial de Base e a estruturação dos Grupos de Trabalho (GTs), incluindo a definição de prazos e períodos mais adequados para sua efetivação.
Volta à Base: Uma das principais diretrizes definidas foi a necessidade de retomar a presença na base e nos setores. Como ressaltou um dos relatos, embora o sindicato não seja contra o uso de novas tecnologias, a presença física no dia a dia é “importantíssima” para ouvir o que a base tem a dizer.
Diálogo Político: Outra discussão foi sobre a relação do Sintufes com a gestão da Ufes (Reitoria, Centros, EBSERH e Conselhos Superiores), além do movimento universitário como um todo: Adufes, DCE, coletivos de militantes, coletivos internos e a CIS.
Plano de ação: As coordenações apresentaram seus planos de ação com prioridades de curto, médio e longo prazo.

Entre os temas que permearam o planejamento estão:
- A luta contra a Reforma Administrativa
- Preparação para o Confasubra
- Organização do Congresso do Sintufes
Conjuntura
O planejamento foi enriquecido com a apresentação de análises de conjuntura nacional e local, permeadas por temas centrais para a categoria dos técnicos-administrativos em Educação (TAE):
Conjuntura Nacional e Sindical (José Maria Castro – Fasubra)
O diretor da Federação de Sindicatos de Trabalhadores das Universidades Brasileiras (Fasubra), José Maria Castro, do coletivo Unir, realizou uma exposição online sobre o panorama nacional e internacional.

Aproximação com a base: José Maria reforçou a importância de retomar a aproximação com a categoria nos setores, citando a ação de entregar o jornal impresso do sindicato como um ato político de se fazer presente nos locais de trabalho para entender as necessidades da categoria.
Posicionamento corporativo: Ele defendeu que a visão do sindicato precisa ser corporativa em favor da categoria, atuando acima de qualquer partido ou coletivo, para defender os trabalhadores.
Críticas ao cenário global: O diretor criticou a política do ex-presidente dos EUA, Donald Trump, de elevar taxas e promover uma guerra contra o narcotráfico, citando ataques que teriam ocorrido contra barcos de pescadores no mar do Caribe.
Preparativos: Entre os pontos estratégicos citados por Zé Maria e que permeiam o debate estão a luta contra a Reforma Administrativa.
Conjuntura local e ataques à Universidade (Alexandre Curtiss – professor da Comunicação e militante do Ufes Viva)
O professor Alexandre Curtiss, do Departamento de Comunicação da Ufes e do movimento Ufes Viva, apresentou uma análise da conjuntura local, com foco nas instituições federais de ensino superior.
Importância científica sob ataque: Curtiss destacou que “90% da pesquisa (no Brasil) é feita na universidade pública” e que, apesar de serem órgãos do Estado, as universidades têm uma responsabilidade social e científica enorme. Ele alertou que a universidade pública está “sob ataque tecnológico” e por grupos que visam padronizar o ensino para atender a interesses neoliberais.
Extrema-direita e fake news: O professor lembrou que a universidade é alvo de ataques da extrema-direita, que “detesta conhecimento” e utiliza o medo fomentado por fake news nas redes sociais para se articular. Exemplos disso: as mentiras sobre o “kit gay” (mamadeiras com bicos em formato de pênis) na eleição de 2018, que seriam distribuídos em creches, caso Haddad vencesse as eleições.
Crítica à divisão interna: Curtiss também fez uma crítica aos grupos políticos de esquerda que são próximos, mas que perdem energia com “diferenças políticas menores”, criando “uma divisão muito forte”. Para ele, essa fragmentação dificulta a busca por uma compreensão comum e afeta o movimento dos estudantes, docentes e técnicos.

